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quinta-feira, 10 de março de 2011

Para refletir

O jovem JF

A vida não é fácil prá maioria das pessoas hoje, especialmente para o simples trabalhador, cuja principal fonte de renda é a sua força de trabalho. Mas JF, apesar dos contratempos, conseguiu fazer um curso superior e agora tenta arranjar a sua vida, de preferência trabalhando numa Instituição de ensino superior uma faculdade ou Universidade. Formado Ciências Sociais, acredita que as coisas agora poderão ser melhores, afinal, estamos num país livre, democrático e com grandes perspectivas de crescimento. Dessa forma, tudo o que JF aprendeu na Universidade, servirá para a sua vida profissional e também pessoal.

As aulas de Sociologia e de Antropologia, além das de história, política e geografia, ofereceram bases teóricas e conceituais para discutir qualquer problema da realidade atual. Assim pensou JF, enquanto percorria a cidade na esperança de, finalmente, poder mostrar o que aprendeu, suas habilidades e competências. Após várias tentativas frustradas, finalmente o jovem de 25 anos, já casado e com um filho prá criar, conseguiu arranjar uma escola prá ensinar. Trata-se de uma escola de ensino fundamental, mesmo assim, JF vai poder lecionar algo que aprendeu. A disciplina sob sua responsabilidade é Moral e Cívica, pois, não tem Sociologia na escola, afinal, estamos ainda na década de 80 e faz pouco tempo que o Brasil saiu de uma Ditadura Militar. Pois bem, JF tem que se contentar com Moral e Cívica mesmo.

As aulas iniciaram e JF tem pela frente uma turma de 40 meninos e meninas e todos não fazem idéia do mundo que vive, nem tampouco do que fizera a cruel Ditadura Militar. Pior, alguma coisa que sabem é que os comunistas queriam tomar o Brasil, mas, finalmente, isso não aconteceu. A dona da escola, uma coroa de 63 anos, todo dia não esquecia de agradecer a Deus pelo País livre dos comunistas. JF via e ouvia tudo e , aos poucos parecia se dar conta que estava em outro mundo e que não era isso que ele pensava, muito menos tinha aprendido nas aulas de Sociologia essa estória de comunistas que queriam tomar o Brasil; pelo contrario, aprendeu sobre Teologia da Libertação e sobre movimentos sociais. Sabia perfeitamente o que a ditadura havia feito, como torturas, assassinatos, desaparecimento de lideres sindicais e militantes de esquerda da igreja; lembrava inclusive da história da morte de Frei Tito e da Guerrilha do Araguaia, onde foram motos vários militantes. JF não tinha motivo para aceitar esse tipo de pensamento.

O primeiro dia de aula foi de uma euforia só, afinal, JF está trabalhando. Não importa o que pensam os alunos e até a diretoria da escola, pensava ele. Imaginava revolucionar o mundo pela educação. Não durou muito prá JF se dar conta da utopia que carregava, pois, a escola era tida como um ponto comercial e os alunos não estavam nem aí para aprender nada; somente queria era passar de ano. A diretora da escola, certo dia, chamou o professor JF e perguntou por que ele não tratava das datas comemorativas nas suas aulas, como o dia do soldado, dia da bandeira, dia dos pais e das mães, a proclamação da República, entre outras datas. JF ficou sem ação e queria dizer que isso não tinha muita importância, mas sim, era preciso que os alunos aprendam a pensar. Isso soou como uma bomba para a diretora, que logo exigiu a JF para tratar desses assuntos de datas comemorativas o mais breve possível com os alunos. JF parecia não entender nada e temia perder o emprego que havia conseguido há tempo.JF suspirou e voltou prá sala, mas não sabia o que fazer diante daquela situação. Era só o começo, muita coisa ainda viria pela frente.

Como diria um velhor conhecido Bloguero ¨Ä a quem possa interessar¨

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